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Danuse Queiroz
"Quando entrei no SuperAção, em 2002, não sabia o tanto que eu iria mudar. Sempre gostei de ser líder, só que não sabia como fazer isso. Também passei a aceitar mais a escola. Ela também era dos alunos e podíamos fazer milhões de coisas com ela. A primeira foi uma rádio, depois, um time de vôlei que hoje joga profissionalmente por Sobradinho. Conseguimos fazer com que a quadra da escola fosse usada à noite pela comunidade. Começou com dois professores e os jovens do SuperAção. De repente, toda a escola se envolveu nos nossos projetos A escola ficou com uma cara diferente, mas aquilo era pouco. A comunidade também podia viver essa mudança. Queríamos que mais pessoas soubessem do que éramos capazes. Tinha uma área abandonada em Sobradinho que o povo jogava lixo e estava invadindo. "Pôxa, Sobradinho podia ter um parque ecológico". Começamos a plantar essa sementinha na escola. O nome do projeto era SOS Canela de Ema. É uma planta da região que é comprida e na ponta tem uma flor colorida. A escola toda limpou o Canela de Ema. Fomos à câmara dos vereadores e à prefeitura pra conseguir uma lei que transformasse a área abandonada em parque. As pessoas não acreditavam muito na gente, achavam que era fogo de palha. Quando começamos a pressionar, a correr atrás, aí não teve jeito."Vocês querem o parque? Então vão ter um parque". E conseguimos. Hoje no Canela de Ema não pode ter loteamento e quem jogar lixo é multado. Esse ano a prefeitura ficou de colocar banquinho e trilha no local. Outras mudanças surgiram. Aqueles alunos que os professores queriam que saíssem da escola porque davam trabalho, passaram a ser os melhores alunos. Nenhum de nós chamava os pais para reunião na escola. Com o SuperAção, passei a querer toda a família lá pra ver as coisas legais que eu e outros jovens estávamos fazendo. O SuperAção virou uma comunidade, todo mundo pensava igual, pensava junto. Desde 2003, faço parte da Caravana Jovem. Somo oito jovens e temos um cronograma de visitas nas escolas do SuperAção em Brasília. Conversamos com os jovens, resolvemos problemas, fazemos oficinas sobre protagonismo juvenil para alunos e professores. Criamos o conselho jovem, formado por representantes dos projetos do SuperAção nas escolas. E cada um deles criou um conselho na sua escola. Esse é um dos maiores frutos da Caravana. A gente quer que os jovens entendam que têm potencial pra mudar o mundo, e tem muito jovem fazendo isso. Tem jovens também que são alienados, mas é tudo questão de oportunidade. Eles não sabem o que podem fazer, e quando descobrem é rápida a mudança. As vezes, a gente vê o mundo tão grande e não se acha nele, mas cada um tem uma missão. No SuperAção a gente descobre a nossa missão, ajudar uma pessoa, ser o líder do projeto, ou mesmo dobrar uma cartinha. Formamos um colar de pérolas, se uma se perder não tem mais colar. Todos na Caravana hoje têm um projeto de vida. Estou terminando o segundo grau e esse ano vou fazer pedagogia porque acho que a solução para os problemas do país é a educação". Danuse Queiroz, |
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