Cícero Jadson Calixto de Araújo

“ Meu pai é cozinheiro de pizzaria e minha mãe é dona de casa. Nós moramos em periferia. A condição de vida é um pouco precária. A violência existe, pra aquelas pessoas que buscam e que estão no crime. Mas eu não tenho com o que me preocupar, sou uma pessoa honesta. Mesmo assim já aconteceu de ter troca de tiro na festinha da comunidade. Foi no dia das crianças. Um rapaz morreu. Começou uma correria. Deu um medo por dentro, mas corri e me safei. Apesar disso, gosto de onde moro, lá as pessoas tem o mesmo vocabulário que eu, são pessoas que eu convivo e tenho um bom diálogo.

Tenho três projetos no SuperAção: gibiteca, cine-escola e mural com classificados de emprego. A gibiteca é um espaço de gibis pra crianças dentro da escola. Eu recolhi umas 100 revistas para leitura. O cine-escola é um cinema na escola. Tem a faixa etária das crianças (manhã) e dos jovens (tarde). Do lado da nossa escola tem uma videoteca, fizemos uma parceria com o dono e todo o sábado a gente pega uns vídeos diferentes. Em troca, divulgamos o nome da loja. O terceiro projeto é um mural de empregos com classificados de jornal. Muitos adultos não tem condições de comprar um jornal. Às vezes, eles deixam de comprar um pão pra comprar jornal e procurar emprego, que hoje em dia tá muito difícil na sociedade. A gente atualiza os classificados uma vez por semana. Tiramos da Tribuna de Santos na internet e colamos os anúncios no mural da escola.

Eu aprendo muitas coisas no Game, tipo conviver em equipe, a união, a responsabilidade que a gente adquire quando trabalha em grupo e em prol da comunidade; e isso vai se refletir profissionalmente.

A escola mudou bastante. Antes do Game e de eu entrar de cabeça no Programa SuperAção, a escola não tinha motivação, não tinha muitos jovens envolvidos. Hoje eu me apeguei à escola, ao Game. Sem o SuperAção, uma parte de mim hoje iria se desfazer, eu não iria conseguir viver sem ele. Eu tô sentindo uma grande emoção, uma coisa maravilhosa de estar no Encontro de Decisores em São Paulo, porque meu trabalho na escola está sendo reconhecido.

Minha maior emoção no Programa foi que, de cinco pessoas que tinha no Game, triplicou pra quinze. Eu fui de sala em sala convidando os jovens para participarem do Game, marcando reunião. Eu mostrava o que era o Game, como era ser voluntário em projetos e como isso podia ajudar a gente no futuro. Mexeu muito comigo ver mais gente entrando no Programa. É a sensação de um trabalho concretizado, de não ver o projeto decair, mas crescer. O SuperAção tem que se expandir, não tem que ficar só na escola, tem que envolver os adultos também.

Eu sempre fui comunicativo, brincalhão, mas às vezes magoava as pessoas. Como era muito extrovertido, acabava fazendo brincadeiras de mau gosto. Convivendo mais com os jovens, eu comecei a perceber o que é preciso pra formar e manter uma equipe. Com isso fui compreendendo melhor os outros, as diferenças, e aprendendo a conviver sem nenhuma descriminação ou preconceito.

O Cícero antes era uma pessoa imatura. Agora Cícero é um jovem que tem responsabilidade e tá buscando um objetivo na vida. Eu planejo acabar os estudos e fazer faculdade de administração, depois montar uma empresa e fazer faculdade de direito.

Eu via os jovens como pessoas irresponsáveis imaturas, como eu era. Hoje vejo que não representava uma boa coisa pra sociedade. Eu mexia com as pessoas, arrumava brigas. Com o Programa, passei a me relacionar melhor com todo mundo. Eu e meus pais passamos a nos dar muito bem. Eu fazia muita brincadeira besta com meus tios, eles brigavam comigo. Hoje minha famíia toda me apóia nas minhas decisões. Temos mais união e um diálogo mais aberto. Agora eu discuto com eles sobre aids, sexo, drogas. Meus pais estão percebendo que eu mudei e têm mais confiança em mim.
Antes eles me deixavam um pouco de lado porque eu era imaturo.

Depois que entrei no SuperAção passei a ter um convívio mais forte com os professores, falar sobre os projetos, a escola...Na minha escola tem uma rádio e eu fui lá uma vez falar do Game. Eu descobri que posso ser responsável, posso brincar sem magoar ninguém e que a união prevalece. Com a união, eu ganho a compreensão do grupo, deixamos as diferenças de lado. Eu vou levar o aprendizado do game pra toda a vida. Cada dia eu aprendo uma coisa diferente, é muita coisa, muita informação.

Depois que entrei no SuperAção passei a ter um convívio mais forte com os professores, falar sobre os projetos, a escola...Na minha escola tem uma rádio e eu fui lá uma vez falar do Game. Eu descobri que posso ser responsável, posso brincar sem magoar ninguém e que a união prevalece. Com a união, eu ganho a compreensão do grupo, deixamos as diferenças de lado. Eu vou levar o aprendizado do game pra toda a vida. Cada dia eu aprendo uma coisa diferente, é muita coisa, muita informação.

Antes de entrar no Game eu não investia em mim, eu não tinha descoberto meu eu e o que eu podia fazer de bom com ele. Tava guardado no meu coração, mas tava querendo se soltar. Foi no Game, aquela motivação, aquela emoção, que ele se soltou. Com o SuperAção você aprende a buscar coisas novas, mais possibilidades, planeja o melhor pra si. Hoje eu trabalho como office boy numa ong que dá cursos de informática. Eu fiz curso de informática nesta ong e depois eles me inseriram no mercado de trabalho. Eu ganho uma salário mínimo,com o dinheiro investi no meu visual e vou abrir minha continha. A minha maneira rápida de falar embola um pouco no trabalho, atrapalha no atendimento telefônico. Isso está me desmotivando porque eu quero estar perfeito em tudo. Eu tenho refletido que eu preciso melhorar e que eu vou correr atrás dos meus objetivos e melhorar esta falha.

Hoje a escola me vê diferente. Eu sempre gosto de estar me auto-avaliando e pergunto mesmo na escola, no trabalho. Já ficou até chato. Eu modifiquei meu vocabulário, meu jeito de ser. Hoje a escola me ajuda no que eu preciso, me deixa usar material para o Game. Hoje confiam em mim. Eu queria dizer para os jovens para que eles sempre busquem o melhor para si e o conhecimento para serem bons profissionais. E que não desistam nunca. Como diz meu grande ídolo Ayrton Senna, um sonho que se sonha sozinho é só um sonho. Um sonho que se sonha em equipe é uma realidade.


Cícero Jadson Calixto de Araújo
15 anos, SuperAção Jovem Guarujá