Vinicíus Alexandre Pereira

Depois do SuperAção, minha vida mudou da água para o vinho. Está uma maravilha. Eu era tímido, ficava de canto, sério, não falava com ninguém. Agora, tenho muitos amigos pra vida inteira.  É o maior da hora. Minha família também está mais perto, meus pais me apóiam, se orgulham do que eu faço. Eles falam assim: "tá no horário, vai pra escola".

Com a direção da escola, eu só falava oi. Agora a gente conversa, faz planos, faz projetos junto com o diretor e os professores. A direção da escola só elogia a gente. É demais!!! Todo mundo na escola ajuda o SuperAção.  Eu não vou à escola só pensando em copiar a matéria, vou pra ter altos papos com os professores. Minha visão da escola mudou muito. Agora eu sei que vou pra lá aprender e ensinar, porque a gente sabe muito.

Temos um projeto, o Sagrada Família,  que nasceu quando percebemos como os alunos sofrem com problemas familiares. O projeto trabalha não só o coração dos jovens, mas pra estruturar a família e construir  um alicerce para os jovens.   O Danilo era super arteiro e agora melhorou. Roubaram a bicicleta do Osvaldo e a gente correu atrás pra ajudar porque com a bicicleta ele ajudava a dar sustento pra família.  Fundamos também a companhia de teatro Mandrágora e com as peças arrecadamos fundos para entidades assistenciais. Em dezembro, conseguimos nos apresentar no teatro de uma universidade e, com a venda dos ingressos de cinco sessões, ajudamos uma entidade que apóia portadores do HIV.

A gente quer mostrar que dá pra fazer  um mundo melhor, se não pensarmos só no nosso bem estar, mas no de todos. Tem gente passando mais dificuldades do que a gente. Queria dizer pra pessoas: “Pô cara, vamos melhorar o mundo porque isso é muito bom. Não vamos ficar só nesse marasmo, vamos acelerar .”

A gente resolveu que não vai ficar só nas idéias, no papel. Vamos pôr em prática, vamos agitar. A sede dos projetos  é numa casinha abandonada que  a gente reformou, conseguiu piso novo e doação de tintas pra pintar. Agora ela tá um brinco! Como é um espaço público, a gente se juntou com moradores do bairro e fez um ofício pra prefeitura pedindo verba pra reforma. Pintamos, colocamos vidros, arrumamos todos os bancos, os encanamentos, o banheiro, limpamos a praça em frente à casa e  o povo foi chegando pra fazer cursos e assistir as peças.

A nossa maior conquista até agora foi o reconhecimento dos moradores da cidade.  Nosso melhor resultado foi o carinho e o amor que recebemos das pessoas que sofrem mais do que a gente e vivem outras realidades. O nosso cotidiano era ir pro trabalho, pra casa, tomar banho, jantar, dormir. Não! A rotina tem que ser alguma coisa diferente, que faz você viver e  se sentir bem.

Eu era infantil, não sabia distinguir o certo do errado. Extrapolava nas brincadeiras. Hoje me controlo mais. É muito bom a gente saber que é a solução. A gente vê no olho da pessoa que ali tem esperança. Nossa felicidade são esses momentos de contato com os outros, e perceber as necessidades de cada um, que  um sente falta de conversa, outro, de um ombro amigo, de um bem material.

Isso enobrece nosso trabalho e nossa alma. Me dá uma sensação de paz de espírito. Minha maior descoberta com o SuperAção é que eu posso transformar a vida das outras pessoas . Hoje eu pergunto para o problema qual é a solução, porque às vezes a solução está no próprio problema, e às vezes tem  várias soluções, vários caminhos.

Hoje eu me conheço melhor, tenho opinião própria e faço minhas escolhas. A gente dá idéia e o povo vai com a gente. As pessoas começaram a ter mais respeito pelas minhas opiniões. Se eu não tivesse entrado no projeto eu não teria descoberto meu dom para a arte. Passei no vestibular para artes cênicas e queria me dar muito bem na carreira, passar os obstáculos e ser feliz.

Quando me escolheram pra representar minha escola no Circuito Escolar, eu fiquei pirado. Foi muito animal! No circuito regional, quando fui indicado, foi a mesma coisa, só que era cada vez maior a responsabilidade. Eu pensava: Será que sou capaz de representar todo mundo? É uma grande responsabilidade você falar as coisas certas, ver as coisas certas e depois levar uma bagagem para os outros,  transmitir tudo o que presenciou. É gratificante e motivador.

O mais importante das oficinas do Circuito Estadual foi a construção do time. Como a gente vai fazer um time com um alicerce bom, um time que luta, corre atrás das coisas e faz coisas boas, justas e solidárias, pensando no bem do  próximo? Eu liguei pros meus amigos de Bauru e já chamei pra uma reunião pra passar tudo o que aprendi no Circuito Estadual. A gente vai agitar esse game!!!

A gente não pode ficar só sonhando, planejando. Tem que pôr em pratica aquilo que se pensa, não guardar dentro. Tem que pensar no outro. Pensar que,  se a gente ajudar o mundo, ele vai melhorar. Isso só pode acontecer se a mente mudar, se não tivermos aquela velha opinião formada sobre tudo. É como aquela frase do Einstein: A mente que se abre para novas idéias jamais volta ao seu tamanho original."

Vinicíus Alexandre Pereira
17 anos, Diretoria de Ensino de Bauru – São Paulo