Luiz Paulo Silveira

"O nosso projeto no SuperAção é de oficinas de  teatro de papel para crianças de primeira a sexta serie. A gente também as incentiva a escreverem os próprios roteiros.

Eu já fazia teatro há dois anos.  Quando o SuperAção veio pra  escola, percebi que era hora de passar pra frente o que aprendi.

Uma das maiores lições que tive é que devemos conhecer as pessoas antes de julgá-las. A gente não pode olhar para as crianças e falar “aquela ali é boa, esta é ruim”, nunca. Cada uma delas é um diamante a ser lapidado. Também descobri que eu não sou nada se não tiver alguém junto comigo. Quanto mais eu aprendo com os outros, mais me conheço e me desenvolvo.

Um dia uma menininha chegou perto de mim e falou assim: “tio, eu ainda não sei ler, mas eu posso fazer teatro?”. É muito gostoso  ver uma criança vindo à escola aos sábados para aprender uma coisa nova com você. É uma conquista. A oportunidade de poder desenvolver algo é uma reviravolta que o SuperAção, o Game, estão produzindo na minha vida. 

Antes eu era um rebelde. O convívio com a família era de só de oi e tchau. Hoje converso mais e entendo melhor os meus pais, as coisas que eles fazem ou dizem para o meu bem.

Na escola, agora me vêem como uma pessoa que pode ajudar. Gente que nunca tinha conversado comigo, agora quer saber de mim. Os professores e o diretores também querem sempre saber o que estamos fazendo, para incentivar e mostrar pra escola.

Hoje a gente conversa com o diretor sem barreiras. A escola não é só aquela coisa de “vamos estudar e vamos embora”. A gente pode conhecer muito das pessoas pela escola. Ela é um mundo, e sempre te mostra coisas novas.

Meu pai é lavrador e minha mãe é cozinheira de um asilo. Somos 5 irmãos e eu trabalho como jardineiro pra poder dar uma mão para a família. É um trabalho que me ajudou a ter mais controle sobre mim. Olhando uma plantinha crescer, a gente vê que tudo requer tempo. A gente não pode viver do sol, se a gente não tiver força pra resistir ao inverno. No SuperAção passei a expressar mais essas  coisas que eu sinto.

Sem o SuperAção, eu acho que estaria andando pela rua sem conhecer o meu pai e minha mãe direito, distante dos outros, sem enxergar que existem outras pessoas à minha volta. O Programa me deu a oportunidade de começar alguma coisa e ir até o fim.

No Programa dá pra pensar alto. Quero fazer faculdade de artes cênicas e continuar nessa carreira artística. Meu objetivo maior no Programa é conhecer e aprender sempre. Queremos convidar uma pessoa pra nos visitar e ela não vai aceitar? Pra mim é um desafio. Então vamos nós até ela mostrar que o Programa acontece.

Ter participado do circuito estadual do Programa me fez visualizar algo maior. Eu quero mostrar a outros jovens o que eu faço e que eles podem fazer também. Eu quero mostrar para muitas outras pessoas  que elas têm conteúdo e podem aproveitá-lo.

A moral de tudo? É nunca desistir de nada.  A nossa vida roda, um dia você está em cima e outro dia, embaixo. Temos que aproveitar ao máximo, redigir a nossa historia. Acho que o SuperAção dá isso pra gente, poder sonhar e deixar alguma coisa nossa no caminho".


Luiz Paulo Silveira
17 anos – Diretoria de Ensino de São Joaquim da Barra – São Paulo