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Patrícia Silva Ferreira Santos
"Para conseguir desenvolver nosso projeto, Jovens em ação – sopa solidária, decidimos investir nas parcerias. Nessa busca, conseguimos cinco parceiros. Quatro são anuais (2 supermercados, a quitanda e o açougue) e fazem doações todos os sábados. E tem a floricultura também, que doa nas datas comemorativas. Temos ainda a parceria com a prefeitura, que cede o transporte para a sopa ser entregue na comunidade. No início do projeto, a sopa era entregue na própria escola e descobrimos que muitos adultos das famílias beneficiadas eram analfabetos. Então, pedimos a uma professora para alfabetizar os adultos; a sopa era só um atrativo para a comunidade vir até a escola. Um novo problema surgiu, onde deixar as crianças enquanto os pais estudavam? Fizemos outro projeto, o Criarte, onde as crianças aprendem a confeccionar objetos artesanais. Depois das oficinas, pais e crianças tomavam a sopa. A professora de alfabetização tirou licença, pois teve um bebê. Nessa mesma época, a prefeitura passou a oferecer cursos de alfabetização nas comunidades. Nosso projeto ficou enfraquecido, mas resolvemos não parar, Decidimos que levaríamos a sopa até a comunidade. Fizemos um novo mapeamento, cadastramos todos os moradores, levantando número de filhos, as idades, condições de saúde... Junto com a sopa, a gente ia descobrindo as necessidades da comunidade. Se o problema era de assistência social, a gente acionava o serviço social da prefeitura. Se a dona Maria, por exemplo, precisava de remédio, a gente procurava ajudar. O projeto existe há dois anos, graças a uma regra que o grupo criou: “quem sai, tem que indicar outro jovem para participar.” Com isso, estamos firmes até hoje. Fizemos muitas coisas durante esse tempo todo. Na última campanha de arrecadação de alimentos, fomos para a rádio da cidade e divulgamos na escola. No dia da campanha, estávamos com as sacolas vazias nas mãos, cheios de ansiedade: será que vai dar certo? Quando começamos a arrecadar os alimentos, muitos moradores já nos identificavam, alguns até nos ofereciam sacolas mais reforçadas. Chegou uma hora que ficou difícil de carregar! Esse foi mais um desafio no nosso caminho. O que vamos fazer agora? Usamos a casa de um dos jovens para guardar os alimentos. No final do dia, fomos até o supermercado mais próximo, pegamos caixas para encaixotar tudo e anotamos. E assim foi indo. Em outros bairros, guardamos tudo na casa dos moradores. No final da semana, fomos recolher tudo com a perua da prefeitura. Foi uma maravilha. muita gente colaborou. Alguns nos confundiram com os vicentinos. Explicávamos que éramos do SuperAção Jovem . Alguns jovens de fora da escola quiseram passar a participar do projeto. A doação para as famílias é sempre de surpresa e tem uma situação que me emociona muito quando eu conto. A gente chegou na dona da casa e ela disse que não tinha nada pra dar de comer aos filhos naquele dia. A mãe já foi abrindo a cesta para preparar a refeição do dia. Foi muito gratificante, eu gravei essa imagem pra sempre. Quando sobram coisas da merenda, a gente separa e leva pra eles. Às vezes, quando passou na frente da casa de algumas famílias, ouço dizerem: “Olha lá a mulher da sopa!” A gente atende 22 famílias e tem um cadastro que revela a situação de cada família que participa do projeto. Antes da implantação do Programa SuperAção Jovem a escola tinha ganhado um selo de ação solidária. Foi daí que surgiu a idéia de fazer algo pela comunidade carente. No cadastro, a gente pega até o n° do RG e acompanha, nos últimos dois anos, as dificuldades e melhorias. Tem uma família que tinha um bebê de 3 meses e morava embaixo da linha do trem. Imagine o que é isso! A gente procurou a prefeitura, a família foi retirada de lá e cuidada pela assistência social. Fomos falar com o prefeito e ele virou parceiro, gostou dessa união entre jovens e prefeito para resolver os problemas da cidade. Antigamente, se me colocassem pra falar em público, eu tremia, não conseguia falar. Pensava uma coisa, falava outra por causa do nervosismo. Hoje eu consigo me expressar melhor, devido ao convívio em grupo e o trabalho em equipe. Cada pessoa tem uma personalidade. Tem jovem que é protagonista, tem jovem que é mais recatado, outro é mais explosivo. Tanto um como outro estão trabalhando por uma mesma causa. Então você precisa saber lidar com as diferenças sem preconceito. Sou do Paraná, e vim com seis anos morar na região de Santa Adélia, no interior de São Paulo. No Paraná é só cana. Meu pai era pedreiro e veio buscar serviço. No início, tudo foi difícil. A gente foi morar em uma vila com gente de todo lugar que vinha para trabalhar. A gente era marginalizado porque era pobre. Eu sempre tive vontade de ajudar a sociedade a melhorar. Eu cresci com isso. Não é porque eu tinha uma condição financeira ruim que eu ia abaixar a cabeça. Quando conheci o SuperAção eu disse: “é aí que eu tenho que estar”. Eu sei como é difícil, você andar na sociedade e ser vista como pouca coisa, não ser valorizada. Agradeci a Deus por ter posto esse projeto no meu caminho, eu vejo isso como uma missão, uma realização pessoal. Agora eu estou trabalhando no mercado, como operadora de caixa, e o dono também é parceiro do projeto! De uns tempos para cá, estive pensando muito em fazer jornalismo. Gosto de me comunicar, passar as informações para as pessoas, passar mensagens para a sociedade ver se acorda... Estou passando por alguns problemas na minha família. Meu pai é alcoolista. Ele batia na minha mãe e quase já a matou. Por conta disso, ela e minha irmã saíram de casa. Fiquei com meu tio e estou tentando ajudar minha mãe financeiramente. Não fiquei com meu pai porque ele precisa querer se ajudar. Ele vai ter que sofrer para aprender. Eu tinha que esconder todas as facas e objetos cortantes da casa para que meu pai não agredisse minha mãe. Teve uma época que minha mãe estava tão assim, que queria colocar veneno na comida dele. Eu cresci no meio dessa briga. Se eu não tivesse o game, eu não teria força para pensar no que ia fazer. Ele me fortaleceu. Eu não vou me abater. Minha fé me ajuda, as orações me confortam. Meu maior aprendizado foi a resiliência, ser persistente, não desistir jamais. Coloque à sua frente seus planos e como você vai atingir as metas. Pare, pense e idealize como você quer alcançar seus sonhos. Tudo na vida precisa de um passo depois do outro, desde a hora que você acorda. Não adianta querer fazer tudo de uma vez." Patrícia Silva Ferreira Santos |
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