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Amanda Camila da Silva
"Antes eu participava de projetos individuais ou em dupla na escola e não tinha o compromisso e a motivação que tenho hoje. Eu cresci. Ganhei o reconhecimento dos meus colegas na escola, dos professores, da direção, da minha mãe, da minha família. Eles me apóiam muito. Sempre me envolvi em projetos na escola, mas era um pouco difícil porque os colegas não se interessavam e a gente não tinha muita motivação da direção. Hoje a direção incentiva muito o jovem. A diretora Maria Antônia nos dá todo apoio. Minha equipe tem 13 participantes e um de nossos projetos se chama “Aulas dinâmicas”. O nosso foco é diminuir a evasão na escola. A cada três meses a gente vai atrás do aluno que está faltando muito. Pegamos o telefone e o endereço dele, batemos na porta, falamos com a mãe, com o aluno, tentamos fazer ele voltar a estudar. E eles estão voltando. Também queremos tornar a escola mais atrativa para o aluno e também para o professor. Porque às vezes têm alguns professores que faltam porque alguns alunos são desinteressados. Queremos uma aula mais dinâmica, mais fácil de aprender. Só lousa, giz e aquela coisa de livro, está muito passada e o jovem não gosta disso. O jovem gosta de ação. Também temos um projeto de “Gestão Ambiental" para evitar o desperdício de comida na escola. O Game se dividiu em 3 grupos e se reveza para ficar manhã, tarde e noite orientando o pessoal na hora da merenda, que é self service. A gente diz assim: “pega só um pouquinho de comida pra não jogar fora depois. Se você quiser comer mais, depois você volta”. Nisso a gente diminuiu muito o desperdício. Outro projeto envolvendo o meio ambiente é a “Plantação de Árvores- Arborização da Comunidade”. A gente vive numa área de manancial e arrancaram todas as árvores que tinham lá. Fomos até a prefeitura, pegamos várias mudas e saímos distribuindo. Temos outro projeto, “Pluralidade Cultural”, que envolve rock, axé, etc, num festival. Tem banda de pagode, dança do ventre, hiphop. Existe muito preconceito do rock com o axé, do axé com dança do ventre... Então a gente tenta juntar tudo isso... Fazemos festas, chamamos a comunidade... Tem o projeto “Esporte Amistoso”, porque nossa comunidade é bem carente, tem muita rixa, muita briga, bem periferia. Então fizemos um esporte valendo medalha, feito por amizade, pra integrar mesmo... Tem o projeto “Inclusão para Todos”. Entregamos vários convites para as escolas para que elas conhecessem o Game. Convidamos cinco escolas e duas vieram nos procurar. Elas estão inscritas no SuperAção, mas não sabiam o que era o Game! Hoje, vinte pessoas dessas escolas participam de tudo o que tem na nossa escola. Tem mais projetos! Nós saímos pela comunidade para perguntar o que as mães estavam precisando. Elas pediram fraldas. A gente batalhou e no dia das mães a gente entregou várias fraldas pra todas elas. Um pouco antes do inverno, a gente também sempre arrecada agasalhos para os alunos. Outro projeto é o “Mobilização contra a Pichação”. Pintamos cada sala de aula com um tema: a de língua portuguesa agora tem poema, a de história, vários quadros, na de matemática, são números na parede. Então lá, não há pichação. É muito limpinho. E os alunos respeitam porque são eles mesmos que pintam. Quando alguém picha, os alunos avisam: “olha tal pessoa pichou”. Então o que a gente do Game faz? Vai atrás do aluno na sala, pega o rolinho, pega a tinta e dá para ele pintar”. É difícil fazer planejamento porque o nosso grupo tem muita idéia! A gente não sabe qual executar primeiro. Colocamos tudo na ata. Depois que sai do papel, a gente vê o que deu errado pra fazer melhor e onde a gente acertou. E comemoramos muito. Porque é um sucesso do grupo todo, da escola e da comunidade. No Game eu me descobri. Vi que minha força e determinação vai além do que eu imaginava. Descobri que meus colegas são muito determinados. Eu descobri valores muito legais em mim e nas outras pessoas. Os jovens e os adultos às vezes só vêem o lado ruim das pessoas, e eu descobri o lado bom do ser humano. Toda a bondade, toda a solidariedade, dedicação... Então é isso que eu não quero perder... Ver o lado bom do ser humano. O game é uma conquista pra todos. Os jovens deviam parar de ter dó de si mesmos, de se acharem um problema. Porque o problema não são os outros, é a gente mesmo achar que é o problema. A juventude tem que ter mais perseverança, confiança em si mesmo para ser protagonista." Amanda Camila da Silva |
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