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Fábio Ricardo Faria Machado
"Antes do Game e do SuperAção, eu era muito triste, fechado, tinha medo de me abrir e me expor, não tinha amigos. No Programa vi que isso não era legal. É bom você abrir sua vida, expor suas idéias, ser alegre, ser diferente e aí você acaba conquistando tudo. Com o Game, a amizade aumentou 500 % e não tem aquele medo tipo: será que vão tirar sarro da minha cara? Eu aprendi que não tem que ter medo de ser feliz. Eu pensava que o Game era uma brincadeira até ouvir o educador perguntar de cara o que eu queria ser, fazer, quando terminasse os estudos. Eu fui me tocando e conversando com outros jovens e diretores de escolas que eu não conhecia. O que mudou também é que eu tinha preconceito com alunos bagunceiros. No Game, uma virtude que conquistei é ser humilde e não julgar os outros. Não importa se é roqueiro, se curte rap, é gordo, magro, feio, banguela. O Game ajuda a pessoa a se colocar no lugar da outra. Antes, tinha alguns projetos que nós fazíamos que a diretora não aprovava. Desde que o Game chegou, a diretora aprova o que a gente quer, porque não é só a escola. Tem o apoio do Instituto, tem o apoio da Diretoria de Ensino. A diretora sabe que não é uma brincadeira, que vale à pena. O primeiro projeto que a gente criou foi para resolver o problema das mais de 100 pombas que ficavam no pátio da escola. As pessoas não tinham onde sentar por causa das fezes dos bichos. Nas pesquisas que fizemos, descobrimos também que os pombos transmitem doenças. Pesquisamos com veterinários remédios para afastar as pombas, mas eram caros. Daí, o zelador teve a idéia de montar um espantalho. Ele pegou uma vara de bambu, costurou um saco vermelho na ponta e agitava no ar. As pombas saíam e depois de duas semanas a gente percebeu que o pátio voltou a ficar limpo. E não era só espantar as pombas. Na pesquisa, a gente viu que o que atraía os pássaros era os alimentos jogados no chão. Estamos conscientizando, com cartazes e conversas, os alunos para não jogarem comida no chão. A gente fez cartazes e até uma peça de teatro. A idéia agora é dar palestras. Nossa escola tem 1200 alunos. Conversar com todos não é fácil. A idéia da diretora agora é fazer as reuniões do Game não só aos domingos, mas durante a semana também. O segundo projeto que a gente está planejando é a castração de cães. Moramos num bairro de casas populares e as pessoas não têm dinheiro para cercarem o quintal e prenderem os cães. Quando as cadelas entram no cio, elas cruzam, têm filhotes que acabam ficando nas ruas. A gente começou a passar nas residências para cadastrar os cães que estão soltos. Levamos a lista para os veterinários da cidade, e a castração ficou muito cara. A prefeitura faz a castração, mas cobra uma taxa de 60 reais por animal. A gente cadastrou 25 cães e fizemos as contas. Dava quase 1200 reais no total! Para arrecadar o dinheiro, fizemos rifa, mas não rendeu muito. Foi aí que pensamos em uma festa, a primeira que a escola já teve! Contratamos DJ, segurança e deu tudo certo. Quando participei do primeiro encontro regional do Programa, eu tava muito acanhado. Achava que os outros jovens eram melhores do que eu. Foi o contrário. Vi que todos são iguais, buscam o mesmo sonho que o meu, têm as mesmas qualidades, querem conhecer novas pessoas. Quando a coordenadora do Programa me ligou pra eu fazer parte do time de mobilização, eu não pensei duas vezes. Desliguei o celular e saí voando. Meu patrão achou que eu estava louco e falei pra ele do Programa. Ele me deu parabéns, disse: “você merece, tem potencial”. Isso foi muito bom de ouvir. A minha maior alegria no momento é ter participado do circuito estadual do Programa, em Serra Negra. Acho que é o auge de um gamista, chegar lá, conhecer pessoas de outras cidades, de outras diretorias, trocar experiências, conversar... Desde o começo do ano eu fiz um planejamento. Eu queria conquistar várias coisas, e uma delas era participar do time de mobilização desse ano no circuito estadual. Não sabia como, mas eu ia arranjar um jeito. Porque eu quero ser espelho, pra refletir e ser refletido, e nunca pensar: eu não posso, não consigo; nunca desanimar pras coisas da vida. Eu aprendi que quando um jovem explode o seu potencial, ele fica impossível, vai além do esperado. Ele vai querer alcançar coisas que nunca ele imaginou. Antes eu não sabia o que eu queria. Eu não sabia o que ia ser do dia de amanhã. Agora eu sei o que eu quero: vou confiante fazer uma faculdade ou de educação física ou de contabilidade ou de veterinária. Quando você vive só o seu mundo, você não sabe o que acontece lá fora. Mas quando você olha pra fora, você pensa: pôxa, se eu conseguir juntar o meu mundo com o seu, vamos ver no que dá? Acaba misturando e dá uma fórmula boa. E com essa mistura, a gente vai crescendo. Eu acho que eu estou mais preparado pra vida, para o futuro. Se você conquistar uma coisa, legal. Não conquistou, é parar, ver o que errou, e continuar. Sem ter medo. O que eu mais conquistei no SuperAção, e que não abro mão, foi a alegria de viver. Acho que a felicidade é o que sempre nos deixa jovens. Com garra, atitude e força de vontade a nossa juventude vai mudar a realidade." Fábio Ricardo Faria Machado |
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