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Cassiano dos Reis Costa
"Nosso time tava preocupado com a conservação do litoral e queria trazer isso pra escola. Uma horta? É simples, é só colher mato, jogar semente, plantar. Mas a gente queria mais, queria trazer idéias que pudessem fazer a comunidade refletir. Pra começar, fizemos os canteiros com garrafas Pet. Fomos nas salas de 5° a 8° série, a meninada toda disposta a ajudar, e recolhemos três mil garrafas. A gente dizia: é uma garrafa a menos poluindo rios, terrenos baldios. Foi um trabalho árduo, sofrido, calo na mão. Tivemos que aterrar o terreno que era o depósito de lixo na escola, colocar garrafa por garrafa. Agora tá tudo bem limpadinho, bem bonito, com ervas medicinais, alimentos e sem uso de agrotóxico. É gostoso estar com um grupo, com seus amigos, fazendo as coisas. Fizemos calhas nas telhas, com filtro, pra aproveitar a água da chuva pra irrigação. Tudo com o envolvimento dos professores, que tão lá pra nos ajudar, ensinar. A água tem que ser bombeada de manhã e no final da tarde, e nem todo mundo tem tempo pra fazer isso todos os dias. Aí bolamos um bombeamento de água automática – instalamos um timer que liga e desliga, e dentro da caixa d’agua colocamos um motorzinho de aquário. Quando o timer dispara, no horário programado, ele faz o motorzinho funcionar, e a água é bombeada através de várias mangueiras porosas que molham todos os canteiros. Pra fazer deu um trabalho enorme, o motor de aquário não tinha muita força, e a caixa d’agua tinha que ficar na altura certa pra poder bombear. Na aula de física, o professor nos ensinou a fazer as contas pra dividir uma certa quantidade de água pra cada canteiro. Quando tudo funcionou e a gente viu os canteiros molhados, foi muuuito legal. O professor Cristiano deu muitas idéias: o que podia usar, o que ajudava a planta a dar frutos melhor. Ele perguntava: a gente faz assim e assim, vocês querem tentar? Nos juntamos e deu certo. No SuperAção a gente conversa, a gente se entende. Não tem aquele que diz que”tão me atrapalhando e não quero fazer mais nada,”. Quando a horta estava perfeita, só na manutenção, resolvemos começar outro projeto, de solidariedade e mobilização. Pensamos então em fazer uma coisa que nunca foi feita no litoral: um encontro de Games. Juntamos cinco escolas da região e fizemos uma gincana em prol de um asilo. Foi quase como o encontro dos jovens do Programa em Serra Negra, juntamos experiências, trabalhamos junto. Cada escola tinha um valor – determinação, motivação, superação, perfeição e dedicação. Cada escola tinha que juntar alimentos, remédios, produtos de higiene ou reciclados. Ao todo foram 60 jovens participando. Teve toda essa parte de planejamento, conversar com as escolas, com a Diretoria de Ensino, convidar os jovens. No dia da gincana, cada escola fez apresentações de teatro, musica, dança, recreação com idosos, forrozinho gostoso. Gostamos dessa ideia de juntar os games e esse ano vamos pegar bem mais forte, vamos tentar, junto a essas cinco escolas que nos apoiaram, envolver outras escolas. É gratificante ajudar, saber que você pode fazer coisas que não imaginava, que pode melhorar outras. Aprendi muito, eu era um rapaz tímido. Me olho no espelho e me vejo superando, crescendo. As provas do Game nos ensinam a pensar melhor cada passo do futuro, a planejar, ter paciência, saber levar os imprevistos. O mundo não é facil, tem que ter paciência e, tudo isso que aprendemos no Game, adquirimos pra vida, pro trabalho. Eu falo pra todos que tenho orgulho de participar do Superação. O Programa me ajudou a soltar a franga, arrebentar, não ter vergonha de nada. Se você tá lutando por alguma coisa, vá em frente. É encarar os medos e crescer. O jovem muitas vezes quer mostrar isso e não pode, o Game me ensinou a mostrar. Hoje prefiro ficar na escola do que na praia. Eu ajudo meus pais num restaurante de comida caseira, tenho a vida muito presa, trabalho muito. No SuperAção é o momento que eu saio, me divirto, aprendo coisas novas, conheço pessoas novas. Sem o Programa, final de semana não é nada. Meu sonho é crescer, trabalhar. Se não der de um jeito, vai de outro. Fazer o quê? É erguer a cabeça, refletir, pensar de outra maneira. Hoje não preciso de mais nada pra ser feliz. Se tiver saúde, atravesso o mundo". Cassiano dos Reis Costa |
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