Anderson Pardini

“Eu sempre fui muito tímido, quieto. Sentava lá no fundo da sala para a professora nem me ver, porque morria de vergonha de ela me fazer perguntas, de ter que falar pra classe inteira ouvir. Até para responder a chamada era complicado. Quando eu pensava no meu futuro, não sabia exatamente o que via nele. Até pensei em ser padre, não por vocação, mas pra ficar na minha mesmo, sem muito contato com ninguém. Mas ai eu pensei: eu preciso ter um objetivo de vida! Qual é a minha motivação? O que eu quero pra mim? Não queria ser como aqueles ‘manés’ que iam para a escola só por ir ou só por causa da merenda. Eu via aquele pessoal e pensava: os jovens são uma coisa sem sentido! Só que eu achava que não me encaixava nisso, porque eu tinha sonhos, um ideal de vida. Eu não sabia o que fazer com eles! Foi ai que eu acabei entrando para o Grêmio da escola e logo em seguida para o SuperAção. E eu posso dizer que foi ali que eu me encontrei, porque quando conheci o pilar do SER eu aprendi a me conhecer, a dar um destino para minha vida.

Estou no SuperAção desde 2003 e se eu puder, não saio mais dele! Neste ano, quando soube que o tema era leitura fiquei meio assim, preocupado, sabe, porque eu mesmo não gostava muito de ler. Achava que o projeto não ia ‘pegar’, que não ia dar certo. Começamos então visitar as escolas e foi muito legal ver que eu estava errado. Todo mundo se engajou, os professores gostaram e também ajudaram muito. Entre os projetos, o que eu mais gostei foi o ‘Sacola Itinerante’, em que os alunos podiam levar pra casa vários livros de todos os temas. Várias escolas tiveram todas as salas participando do projeto e em uma conhecemos uma menina de 12 anos que já leu 200 livros. Achei o máximo! Até eu comecei ler e vi que eu não lia antes porque fazia da leitura uma obrigação. Quando você começa fazer por prazer, é tudo muito diferente. O livro que mais gostei foi ‘Dom Casmurro’, mas eu gosto mesmo é de ler livros científicos, que falem de Biologia, que é o curso que estou fazendo na faculdade. Uso muito do que aprendi no programa na minha vida escolar. Hoje eu sei que tudo o que eu quero, eu posso. O game te dá uma noção legal de vida, você se conhece, conhece as pessoas, fortalece a auto-estima. A diretora da minha escola diz que o trenzinho da sorte passa uma vez só na vida da gente: ou você abraça ou deixa ele ir. O SuperAção foi este meu trenzinho e eu não vou deixar ele ir mesmo. Até porque ele nunca vai sair da minha vida, porque ele me ensinou a viver. É aquela coisa né: as palavras te convencem e os exemplos te arrastam. Isso a gente leva pra vida toda.”


Anderson Pardini – 18 anos
E.E. Clementina – Birigui
Atua no Time de Mobilização