|
Camila dos Santos
“Estou há um ano no SuperAção. Meu projeto no Game é a reforma dos banheiros, porque os da minha escola estão detonados. E banheiro é lugar de higiene, limpeza e tudo em ordem. Não dá para ficar como estão! Mas agora demos um tempo para dedicarmos à leitura, uma idéia que movimentou todo mundo. Tanto na reforma como na leitura, o que mais aprendi é a solidariedade. Nesse ano, por exemplo, eu ajudei muita gente a gostar de ler, a descobrir a vida nos livros. Porque eu leio muito, sempre. E adoro.E quando eu percebi que podia mostrar aos outros como ler é bacana e importante, me dediquei. Os colegas diziam que não curtiam ler. Eu ia lá, insistia, mostrava... pronto! Não é que agora eles não param mais? Me procuram pra contar o que leram, dão dicas e me pedem mais nomes de livros legais. Uma coisa bacana também é que as minhas notas melhoraram... não que fossem ruins, mas hoje estou muito bem! E eu fico me sentindo mais responsável. Sabe por quê? Porque imagina eu, que adoro falar, conversando na aula? Nem quero pensar em alguém me dizendo: 'Oh, Camila, você que faz um monte, é gamista, atrapalhando a aula assim?' Nada a ver. Então, me controlo. Porque tenho de ser meio que exemplo, né? A minha vida na família é legal. Eu brigo com minha irmã às vezes, mas meus pais são tudo pra mim. O que eu sou hoje devo a eles. Eles me falam pra sempre dar o melhor, pra fazer as coisas do jeito certo e eu acho que estou conseguindo. Antes de entrar no SuperAção, eu achava que nós, jovens, mereciamos mais espaço. E que muitos jovens nem batalhavam por isso. E com o Programa, eu descobri que o jovem pode fazer muito, ser parte da escola, da sociedade. Pra falar a verdade, eu me sentia meio injustiçada, sabe aquela coisa de que jovem é aborrecente? Eu luto pra mudar essa visão. Sei que fui escolhida para estar aqui, no Circuito, porque fui responsável, porque tenho força de vontade. E já aprendi que tudo, mas tudo mesmo, depende dessa força. E olha que valeu a pena. Porque tô adorando. É um troca troca de experiências, de problemas e jeitos de ajudar, sabe? E ver que tem pessoas que pensam como eu, é muito importante pra mim. Dá força. Quando a gente começa um projeto na escola, tem sempre dois lados: o daqueles que vão lá, ajudam, trabalham e aqueles que dizem que vão mas que não aparecem nunca. E também tem um povo que não quer saber de nada. Aí é que entra a sua força. Você tem de insistir, não desanimar e acaba resolvendo, conquistando mais gente. A minha escola ainda tem de mudar muito, precisa de mais gente lutando por ela. E essa coisa de planejar, que o Game faz, ajuda a gente em tudo na vida. E quando eu soube do projeto de leitura, me animei, porque tá aí uma coisa que gosto e acredito. Pra mim, a leitura traz muito conhecimento e é uma janela pro mundo. Uma coisa eu tenho certeza: se todos lessem, as coisas seriam melhores. E eu leio de tudo! Nesse ano, o livro que mais gostei, em primeiro lugar, foi 'As mil e uma noites'. Ele fala da sabedoria, de como a personagem conseguia sobreviver contando histórias. E fico pensando a criatividade do escritor em pensar nisso...é muito legal! Uma coisa que mudou na minha equipe de Game é que todo mundo era tímido. Ninguém tinha coragem de ir nas lojas pedir material pra reformar o banheiro. Aí, com essa história da leitura, você acredita que melhorou muito? E também ajudou o grupo a se entrosar, melhoramos a biblioteca, e isso aproximou a gente. Quem não lê não sabe o que está perdendo e erra quando diz que ler é ruim... Se experimentar, vai amar! A moçada tem de encarar a leitura porque é a chave de um mundo melhor. Este ano pretendo ainda ler 'Clarissa', foi meu pai quem indicou. E ele me disse que é super legal e que eu vou adorar. Tô curiosíssima pra ler e saber o que meu pai gostou ali. Sei que ainda vou descobrir muita coisa lendo... muita coisa mesmo!" Camila dos Santos |
|
|||
|
||||