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publicado em 09.03.2018 ÀS 12:11

Instituto promove formação com especialistas de Singapura

Nesta semana, entre os dias 5 e 9 de março, um grupo de 60 educadores teve a oportunidade de participar da formação “O Segredo de Singapura para o sucesso em Ciências e Matemática”, realizada em Joinville, Santa Catarina. O curso foi ministrado pelos professores especialistas Drº Kok Siang Tan, da área de Ciências, e Drº Boon Liang Chua, da área de Matemática, do NIE International (NIEI), braço de consultoria e treinamento do Instituto Nacional de Educação (NIE), de Singapura. Ambos são responsáveis pela formação de educadores da educação básica no país asiático e vieram ao Brasil a convite do Instituto Ayrton Senna, em uma iniciativa feita em parceria com a Secretaria de Educação de Joinville, FIESC-SESI e FECOMÉRCIO-SESC, no âmbito do Movimento Santa Catarina pela Educação.

O principal objetivo da formação foi compartilhar boas práticas no ensino de Matemática e Ciências com professores e gestores que atuam no Ensino Fundamental II da rede municipal, podendo impactar mais de 50 mil alunos em todo o município. Também participaram da capacitação técnicos do Instituto Ayrton Senna e especialistas de escolas do SESI, entidade da FIESC, e do SESC, da Fecomércio/SC.

Singapura lidera o ranking da educação mundial, segundo o último levantamento do Programa de Avaliação Internacional de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 2015, a potência ficou em primeiro lugar nas três disciplinas avaliadas: Ciências, Matemática e Leitura, com até 18 pontos acima dos demais países mais bem colocados no ranking, como Japão e Hong Kong. Em 2015, o Brasil foi o 59º em leitura, 63º em ciências e 65º em matemática, entre as 70 nações que participaram do exame.

O NIE, por sua vez, é o principal instituto de formação de professores do país, ligado diretamente ao Ministério da Educação. O instituto é considerado um dos responsáveis pela revolução no ensino alcançada por Singapura nos últimos anos. Atualmente, a Educação é a segunda área com mais investimentos do governo, atrás apenas da Defesa, e a maior parte do orçamento vai para a formação de professores e de gestores escolares, já que o país elegeu a formação dos docentes como um pilar fundamental de seu exitoso sistema educacional.

Além de desenvolver práticas pedagógicas inovadoras e políticas públicas baseadas em evidências, o objetivo da instituição é também garantir que a formação dos professores de Singapura esteja sempre alinhada com as necessidades da Educação no século 21, com foco especialmente no desenvolvimento socioemocional – importante pilar da Educação Integral. Para viabilizar a vinda dos especialistas ao Brasil, o Instituto Ayrton Senna definiu a iniciativa com o NIE International.

Para o Instituto Ayrton Senna, garantir aos educadores domínio do conteúdo e recursos metodológicos inovadores para o ensino dessas disciplinas amplia também as oportunidades de letramento científico dos estudantes, garantindo a eles esse importante componente da Educação Integral, principal bandeira da instituição. “Poder contar com a experiência de Singapura, que fez uma revolução grandiosa em sua educação, com destaque para as ciências exatas (ou STEM – sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática), é mais um reforço nessa busca de Santa Catarina por oferecer uma Educação Integral e compatível com o século 21 a seus estudantes”, afirma Emilio Munaro, diretor de Desenvolvimento Global do Instituto Ayrton Senna.

Munaro acrescenta que os resultados do projeto serão acompanhados durante todo o ano junto à rede municipal, para que a iniciativa seja então levada a outras localidades em 2019. “Esperamos efetivamente que o trabalho tenha impacto na sala de aula. Para identificar essa questão, estabelecemos um comitê gestor que irá avaliar e acompanhar, através de monitoramento constante, como os aprendizados dessa formação chegam aos estudantes. Esperamos transformar a realidade das escolas na prática”, destacou.

 

“NÃO TEM SEGREDO”

 

Durante a formação, os especialistas de Singapura destacaram que o sucesso da educação em seu país está diretamente ligado a busca por um desenvolvimento integral do estudante, incentivando-o a ser mais consciente de suas habilidades e de seu próprio aprendizado. “Na realidade, não existe nenhum segredo. É claro que existem fatores culturais que interferem no desempenho dos alunos em Singapura, mas também existem práticas pedagógicas que podem ajudar o conteúdo a chegar mais diretamente aos estudantes – e elas independem do contexto cultural. São essas práticas que tentaremos mostrar em nossa formação com educadores brasileiros, para que eles possam adaptar para sua realidade”, afirmou Drº Chua, especialista de Matemática, no primeiro dia de curso.

“Para nós, educadores, formações como essa são importantes para estarmos em contato direto com um país que é número um em Ciências e Matemática, para vermos quais são as circunstâncias que os fazem estar à frente e como adaptar ao contexto brasileiro. Espero descobrir, com isso, novas formas de engajar meus alunos, ajudá-los a perder o medo da disciplina e encontrar outras formas de avaliá-los”, Nicélio Glesser, educador do SESI e um dos participantes do curso.

Para a Secretaria de Educação de Joinville, a capacitação ocorre em ótimo momento, considerando que a rede municipal está iniciando sua revisão curricular, com base na BNCC. “É importante acompanharmos as vivências educacionais de excelência de Singapura, que também trabalham as competências socioemocionais dos estudantes”, afirmou o secretário de Educação, Roque Mattei. Ainda segundo o secretário, a iniciativa foi bem recebida na rede municipal. “É uma honra para Joinville participar desse projeto inédito no Brasil e na América do Sul. Para nós, que estamos hoje ocupando as principais posições em rankings nacionais de educação, é muito importante trazer a experiência de Singapura para elevar ainda mais os conceitos da nossa rede de ensino e melhorar cada vez mais a educação, sendo um exemplo para Santa Catarina e para o país”.

A FIESC elegeu a Educação Integral como foco das ações do Movimento Santa Catarina pela Educação e a capacitação em Joinville está em linha com os desafios do grupo. “Precisamos oferecer uma educação moderna e que faça sentido para os estudantes. Precisamos de uma sala de aula que promova a abertura ao novo e assegure o desenvolvimento pleno do aluno”, pontua o presidente da FIESC, Glauco José Côrte.

Este é o primeiro projeto que o NIE realiza na América do Sul. Toda a articulação entre as instituições envolvidas foi facilitado pela International Enterprise (IE) Singapore, agência comercial do Governo de Singapura no Brasil, que apoiou na organização da missão que levou equipes do Instituto Ayrton Senna e da FIESC a Singapura em maio de 2017. “Com esse projeto inicial, tanto o NIE como a IE Singapore esperam continuar apoiando o Instituto Ayrton Senna e a FIESC a levarem essa iniciativa para outros locais”, afirma Aik Lam Khor, diretor regional da IE Singapore para América Latina.

 

EDUCAÇÃO INTEGRAL EM SANTA CATARINA 

 

A iniciativa de levar a experiência de Singapura para Joinville se soma a outros projetos implementados no estado de Santa Catarina com foco na oferta da Educação Integral. A Secretaria Estadual de Educação, o Instituto Ayrton Senna e a FIESC atuam juntos desde 2016 em dois grandes projetos: Desenvolvendo e Avaliando Criatividade e Pensamento Crítico, por meio de parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Chapecó, que alcança cerca de 4 mil alunos; e Ensino Médio Integral em Tempo Integral, que também beneficia cerca de 4 mil jovens catarinenses, com o apoio de parceiros como Instituto Natura, Movimento Santa Catarina pela Educação, CAPES e BID. As duas iniciativas reúnem diferentes metodologias e formatos de implementação (saiba mais sobre a parceria em Chapecó e sobre o Ensino Médio Integral em Tempo Integral), mas em ambas a proposta é oferecer oportunidades para os estudantes se desenvolverem para além da aquisição de conteúdo das disciplinas, formando também competências como criatividade, pensamento crítico, comunicação e resolução de problemas.

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